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Sinais de Alerta para a Perturbação do Espectro do Autismo e a Importância do Diagnóstico Diferencial

Sinais de Alerta para a Perturbação do Espectro do Autismo e a Importância do Diagnóstico Diferencial

22nd October 2026

Nos últimos anos, temos assistido a um aumento considerável do número de diagnósticos de crianças com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), o que também tem contribuído para aumentar a atenção, a investigação e sensibilização social sobre esta patologia. Esta maior consciencialização é bastante positiva, na medida em que permite identificar, apoiar e intervir mais precocemente com muitas crianças. No entanto, também é fundamental compreender que nem todas as dificuldades sociais, emocionais ou sensoriais são sinais ou sinónimos de autismo. Um olhar atento e um diagnóstico diferencial cuidadoso são essenciais.

Vejamos então alguns sinais que podem justificar uma avaliação especializada:

Dificuldade persistente na comunicação e interação social (fraco contacto visual, dificuldade em partilhar interesses, fraca resposta ao nome, dificuldade em demonstrar/compreender emoções, falta de empatia, dificuldade na interação com pares e adultos e em manter a atenção partilhada, dificuldade na resistência à frustração, auto e heteroagressividade, ausência de jogo simbólico).

Atraso ou alterações significativas na linguagem (ausência de fala, ecolalia, linguagem idiossincrática/fala robótica, dificuldade em manter o diálogo).

Padrões repetitivos de comportamento (inflexibilidade/rigidez de pensamento, movimentos repetitivos, estereotipias, tiques, forte necessidade de rotinas rígidas, dificuldade ao nível do comportamento adaptativo, fixação por determinadas ações: alinhar objetos, colocar as coisas sempre no mesmo lugar, etc.).

Interesses muito restritos e intensos (muitas vezes desfasados daquilo que é comum para a faixa etária, ex.: dinossauros, planetas, marcas e modelos de carros, etc.).

Reações sensoriais incomuns (hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas ou cheiros, seletividade alimentar).

Dificuldade ao nível da coordenação motora fina (agarrar objetos, movimentos finos da mão como escrever, fazer grafismos, pintar, desenhar, movimento de pinça) e ampla (andar em bicos de pés, dificuldade na coordenação óculo-manual e pedal, no subir/descer escadas, na coordenação pé/mão, saltar, rastejar);

Dificuldade em adquirir autonomia nas atividades da vida diária ligadas à higiene pessoal e aos autocuidados (tomar banho, controle dos esfíncteres, vestir/despir, calçar), à alimentação e à utilização dos espaços e objetos de acordo com a sua função.

Estes sinais devem ser analisados no seu conjunto e no contexto do desenvolvimento global da criança. Muitos destes sinais são visíveis logo desde tenra idade e o diagnóstico é possível a partir dos 18 meses.

A importância do diagnóstico diferencial

Algumas características da PEA podem sobrepor-se a outras condições, como a Perturbação da Integração Sensorial, na qual a criança apresenta dificuldades em processar estímulos sensoriais, mas pode não ter alterações nucleares na comunicação social.

Por outro lado, dificuldades relacionais precoces, insegurança no vínculo ou experiências emocionais adversas podem manifestar-se através do que alguns profissionais descrevem como perturbações da relação (ou perturbações do vínculo). Nesses casos, a criança pode evitar o contacto, apresentar retraimento ou comportamento desorganizado, não por uma condição do neurodesenvolvimento, mas por fragilidade nas experiências relacionais iniciais.

Um diagnóstico incorreto pode conduzir a intervenções desajustadas. Por isso, é essencial uma avaliação multidisciplinar, envolvendo profissionais da área da psicologia, desenvolvimento infantil, terapia da fala e terapia ocupacional.

Estratégias para crianças sensíveis a nível sensorial e relacional

Independentemente do diagnóstico, muitas crianças beneficiam de estratégias simples e consistentes:

  1. Ambiente previsível e estruturado – Rotinas claras ajudam a reduzir ansiedade.
  2. Regulação sensorial – Criar espaços tranquilos, reduzir estímulos excessivos e oferecer materiais reguladores (mantas pesadas, objetos táteis, pausas motoras).
  3. Comunicação clara e concreta – Usar frases simples, apoio visual e instruções passo a passo.
  4. Conexão antes da correção – Priorizar o vínculo, utilizar o reforço positivo, validar emoções e estabelecer segurança relacional.
  5. Treino de competências socioemocionais – Ensinar explicitamente como identificar emoções, pedir ajuda e resolver conflitos, desenvolver reações/atividades compensatórias, alternativas e autorreguladoras.

No Projeto Crescer Com Amigos, acreditamos que cada criança é única. Mais do que rotular, é essencial compreender e amar. Ensinar a confiar e a acreditar que é possível mudar! Um olhar sensível, informado e humanizado pode fazer toda a diferença no percurso de desenvolvimento e na construção de relações mais saudáveis.

Cláudia Paiva Martins

Cláudia Paiva Martins

Cláudia Paiva Martins, 46 anos, casada, mãe de duas filhas. Desenvolve a sua atividade profissional como Professora de Educação Especial (há 18 anos) e Professora de EMRE (há 11 anos), é também formadora de professores de carreira e de professores de Escola Dominical na área das Perturbações do Neurodesenvolvimento, da Educação Inclusiva. É coach no Projeto Crescer com Amigos, voluntária no Projeto “Vamos Abrir o Livro” e no Projeto Touch Peace e na revista Novas de Alegria. É membro da REPPE (Rede Nacional de Educadores e Professores Evangélicos).

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